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venerdì, maggio 28, 2010

A-R-R-E-D-A-I! ALL YOU, THE VERY GHOSTS OF MY VERY VENETIAN SPARROW...



É costume dizer que a esperança é a última que morre. Nisto está uma das crueldades da vida: a esperança sobrevive à custa de mutilações. Vai minguando e secando devagar, se despedindo dos pedaços de si mesma, se apequenando e empobrecendo, e no fim é tão mesquinha e despojada que se reduz ao mais elementar instinto de sobrevivência. O homem se revolta jogando sua esperança para além da barreira escura da morte, no reino luminoso que uma crença lhe promete, ou enfrenta, calado e só, a ruína de si mesmo, até o minuto em que deixa de esperar mais um instante de vida e espera como o bem supremo o sossego da morte. Depois de certas agonias a feição do morto parece dizer: "enfim veio; enfim, desta vez não me enganaram".


E EU PENSO NAS REPRESÁLIAS AO MEU SINE SPE, E À MINHA FILOSOFIA FRANCESA CONTEMPORÂNEA.  E SIM, TACHO-AS DE CRETINAS E OCAS, PORQUE MINHA VISÃO ACERCA DA ESPERANÇA NÃO EXORBITA ESSA, DO RUBEM BRAGA - CRIATURA, DE ELOQÜENTE, PELO MENOS, PELO MENOS NÃO-ALIENADA.

ACREDITO (E ESSE VERBO, ASSIM, INICIANDO FRASE, SEM SER NO IMPERATIVO, EM MUITO ME CONDENA) QUE FELICIDADE/ALEGRIA É COMO SABER DANÇAR.  OU, MELHOR, GRAVIDEZ.  OU SIM OU NÃO.  NÃO EXISTE MEIO TERMO, NÃO EXISTE MEIO DO CAMINHO, NÃO EXISTE O METADE CHEIO/VAZIO.

DEPREENSÃO DESTA B, E VEEMENTE, CUJA EXTRAÇÃO SÓ LHE VIRIA REALIZADA COM INSTRUMENTOS CIRÚRGICOS - USEIROS E VEZEIROS EM LOBOTOMIA, OBVIAMENTE -: O CONVENIENTE É NUNCA SE TER ESPERANÇA.  QUE SE A ABORTE, ANTES DE DEIXÁ-LA MORRER DE INANIÇÃO.  FICA MENOS FEIO, MAS, SOBRETUDO, IMENSAMENTE MENOS DOLOROSO.

mercoledì, maggio 19, 2010

WATCH BEZEL



Diariamente continuo a comprar coisas, tais como um acordeão com oitenta baixos e um contrabaixo de quatro cordas. Sempre tive vontade de tocar um desses instrumentos, mas tenho o ouvido péssimo e jamais consegui aprender nada de música. Quando eu era pobre me conformava com isso. Agora toco o acordeão e o contrabaixo à vontade, e com toda força. Minha mulher a princípio pareceu ficar meio irritada; ela também passou a vida humilhada por não saber tocar coisa alguma. Fiz-lhe uma delicada surpresa, adquirindo um piano de cauda Pleyel, em segunda mão mas em perfeito estado, por dezessete contos. À tarde, depois do jantar, ela martela o piano e eu dou duro no contrabaixo; a arara grita esporadicamente, o macaco se mete dentro da arca de jacarandá e a caricatura artística em bronze de Rui Barbosa faz uma cara de quem está estourando de dor de cabeça. Mas é um bom exercício, e nos lava a alma, e à noite dormimos muito melhor.


E SE DIGO QUE É BOM, É PORQUE O É.  EXCERTO QUE ME FEZ EMPOLAR DE TANTO RIR, NESTA MANHÃ PECAMINOSA.