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mercoledì, dicembre 21, 2011

DE ESTOCOLMO,TUDO. SALVO A SÍNDROME


Durante as duas horas daquele convívio desmoronou‑se‑lhe o que restava do castelo inexpugnável em que morara. Nenhuma das muralhas resistia mais. A sua confiança numa ordem natural ruíra. Estava à mercê do puro arbítrio.

‑ Nós, agora.

Ergueu‑se e transpôs, hesitante, a porta do gabinete.

‑ Boa noite ‑ disse, amedrontado.

‑ Boa noite. Mostre‑me os seus papéis de identidade.

Procurou na carteira, nervosamente, estendeu a mão e ficou à espera.

‑ Leonel Ramiro de Lencastre

‑ Exactamente.

‑Engenheiro...

‑ Sim.

‑Donde vem?

‑De Lisboa.

‑Fazer o quê?

‑ Aqui, nada.

‑ Essa agora! Acredita que haja alguém capaz de se deslocar de Lisboa a uma distância destas sem qualquer razão?

‑ Pode ser apenas obrigado a passar por cá, como eu.

‑ Ah! o senhor continua viagem? E para onde?

‑ Rio Torto. Tencionava seguir para lá amanhã de manhã, na carreira.

‑ A quê?

Hesitou. A devassa entrava‑lhe já na alma. A que propósito diria àquele desconhecido a razão íntima e promissora que o levava?

‑ Assuntos particulares...

‑ Que assuntos?

‑ Peço desculpa, mas não digo.

‑ Veja lá se quer complicar as coisas!

Diante da ameaça, a sua timidez alvoroçou‑se. E confessou, no tom e na emoção que daria ao acto no dia seguinte, que ia pedir a  noiva em casamento.


ISTO, HOSTILIDADE A NENHUM PROPÓSITO, A VIOLÊNCIA TREMENDA QUE ARRANCA O QUE SE QUERIA GUARDAR PARA SI, VAI PARA CAMILINHA, QUE INDA ACREDITA QUE 'cada pessoa carrega um universo próprio', O QUE JUSTIFICARIA INVESTIDAS CONTRA QUEM NÃO FAZ POR ONDE.  GENTE QUE LEVA UMA VIDA DESGRAÇADA E QUE, PORTANTO, NÃO É CULPADA PELO AZEDUME DIÁRIO.

OCORRE QUE EU SOU LEONEL DE LENCASTRE.  UMA INGE MASCULINA SEM A FACETA DO QUESTIONAMENTO, DA SUBVERSÃO.  UMA INGE QUE SE PRESTA A SURPRESAS E, ELA SIM, ENCERRA, from marrow to pore, GALÁXIA INTEIRA. 

(e porque tentar entender os arrabaldes envelhece, o justo é aluar-se.  d'ora avante e sempre e tanto.)