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lunedì, luglio 05, 2010

O REINO ABSOLUTAMENTE DESESPERADO



ESCONDENDO-ME DO REINO DESESPERADO DO AMOR.  NO FIM DO MUNDO EM CHAMAS.

E TERMINA QUE É SEMPRE POSSÍVEL.

JÁ ME INDAGOU, INTERESSADÍSSIMO, DJUV, O TEOR DOS MEUS PESADELOS MAIS RECORRENTES.  EU LHE DISSE, SEM RESQUÍCIO DE MENTIRA, QUE TUDO SEMPRE TERMINAVA EM FUGA.  EU VOANDO, EU SALTANDO DO PARAPEITO DE UMA JANELA DO NOSSO ANTIGO, MUITO ANTIGO APARTAMENTO - DE QUE NUNCA MAIS TIVE NOTÍCIA.

FOSSE MINHA MÃE, JÁ SE APRESSARIA EM TACHAR TUDO DE ESCAPISMO - TRADUZIDO NO MUNDO PALPÁVEL, NA ROTINA.  E EU, MUITO CALADA, ASSENTIRIA.  PENSANDO NESSE ESTACIONAMENTO ERMO E ESCURÍSSIMO EM QUE EU ME PERDIA, TODO FIM DE TARDE, NOS ABRIS DESTE MESMO ANO.


venerdì, maggio 21, 2010

VÓS, EVASÕES



O meu desejo é fugir. Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu, fugir ao que amo. Desejo partir - não para as índias impossíveis, ou para as grandes ilhas ao Sul de tudo, mas para o lugar qualquer - aldeia ou ermo - que tenha em si o não ser este lugar. Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias. Quero repousar, alheio, do meu fingimento orgânico. Quero sentir o sono chegar como vida, e n, ão como repouso. Uma cabana à beira-mar, uma caverna, até, no socalco rugoso de uma serra, me pode dar isto. Infelizmente, só a minha vontade mo não pode dar.

A escravatura é a lei da vida, e não há outra lei, porque esta tem de cumprir-se, sem revolta possível nem refúgio que achar. Uns nascem escravos, outros tornam-se escravos, e a outros a escravidão é dada. O amor cobarde que todos temos à liberdade - que, se a tivéssemos, estranharíamos, por nova, repudiando-a - é o verdadeiro sinal do peso da nossa escravidão. Eu mesmo, que acabo de dizer que desejaria a cabana ou caverna onde estivesse livre da monotonia de tudo, que é a de mim, ousaria eu partir para essa cabana ou caverna, sabendo, por conhecimento, que, pois que a monotonia é de mim, a haveria sempre de ter comigo? Eu mesmo, que sufoco onde estou e porque estou, onde respiraria melhor se a doença é dos meus pulmões e não das coisas que me cercam?
POIS É PARA QUE NÃO SE TORNE ESCRAVO QUE SE DEVE EXTRAPOLAR  NA FEITURA DOS GOSTOS.  DOS PRÓPRIOS GOSTOS.  QUANDO EU ERA MENOS ANTIGA, DIZIA SEMPRE QUE MINHA VONTADE IMENSA ERA A DE CONSTRUIR UMA ROTINA, COM VISITAS AOS SUPERMERCADOS, ÀS QUARTAS-FEIRAS PÓS-EXPEDIENTE, E MERGULHO DOS PÉS EM ÁGUA MORNA, NO QUE CHEGASSE EM CASA.  
E NO PRINCÍPIO DA EPOPÉIA LABORAL (QUE SE ESTENDE, ASSIM, ELA ESTÁVEL, POR CINCO ANOS), OS SAPATOS MAIS ALTOS DE FATO ME INCOMODAVAM, E AS ROUPAS MAIS OCASIOSAS, E AS TARDES SOPORÍFERAS (PARA USAR VOCÁBULO DO MEU HÁ-MUITO-DESAPARECIDO SASSÁ) PONTUADAS POR REUNIÕES COM UM CHEFE DESAGRADÁVEL E OLEOSO.  E NOS FINS DE SEMANA, EU VESTIA JEANS COMO QUEM NADA NOS RIOS DE LEITE E MEL, E ACORDAVA NUMA ESPERANÇA PELO MENOS IRRITANTE.

HOJE, HOJE NÃO ME INCOMODA A ROTINA ADULTA, MUITO PELO CONTRÁRIO, MAS DEVO DIZER QUE ME MAÇA.  QUE ME ACOSTUMEI ÀS MIUDEZAS DELICIOSAS DE UMA SEMANA FARTA, E NEM ESPERO MAIS AVIDAMENTE OS SETE PARA AS DEZENOVE, PARA DAR PARTIDA NO CARRO.    MAIS:  NÃO ME ENTUSIASMA MAIS, SEQUER ISTO, A MUDANÇA DOS CARROS. 

MAS,  JUSTIÇA SEJA FEITA, HOJE SOU MAIS SELETIVA COM O QUE LEIO - E COMO.  O GOSTO TEM DE SER DE FATO MUITO FORTE, PARA QUE EU NÃO ME RETIRE.  OS ADULTIMOS, CREIO, SÃO PRECISAMENTE ISTO:  A MONOTONIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE QUE OUTRORA NÃO ME JULGAVA DIGNA.  E HOJE,  PARA QUE SE DÊ A DITA FUGA, SÃO NECESSÁRIOS MAIS DE DEZ MIL QUILÔMETROS, E SETE MESES.  SENÃO OITO.