Havia um homem que era muito senhor da sua vontade. Andava às vezes sozinho pelas estradas a passear. Por uma dessas vezes viu no meio da estrada um animal que parecia não vir a propósito — um cágado.
O homem era muito senhor da sua vontade, nunca tinha visto um cágado; contudo, agora estava a acreditar. Acercou-se mais e viu com os olhos da cara que aquilo era, na verdade, o tal cágado da zoologia.
O homem que era muito senhor da sua vontade ficou radiante, já tinha novidades para contar ao almoço, e deitou a correr para casa. A meio caminho pensou que a família era capaz de não aceitar a novidade por não trazer o cágado com ele, e parou de repente. Como era muito senhor da sua vontade, não poderia suportar que a família imaginasse que aquilo do cágado era história dele, e voltou atrás. 0uando chegou perto do tal sítio, o cágado, que já tinha desconfiado da primeira vez, enfiou buraco abaixo como quem não quer a coisa.
O homem que era muito senhor da sua vontade pôs-se a espreitar para dentro e depois de muito espreitar não conseguiu ver senão o que se pode ver para dentro dos buracos, isto é, muito escuro. Do cágado, nada. Meteu a mão com cautela e nada; a seguir até ao cotovelo e nada; por fim o braço todo e nada. Tinham sido experimentadas todas as cautelas e os recursos naturais de que um homem dispõe até ao comprimento do braço e nada.
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E PORQUE TAMBÉM EU SOU MUITO SENHORA DAS MINHAS VONTADES (QUE NÃO SÃO, MAIS, POUCAS), GUARDO PARA MIM O RESTANTE DO CONTO - ESPETACULAR. JÁ NÃO TENDO DE PROVAR A NINGUÉM QUE O LI, MAS CINGINDO-ME TÃO-SOMENTE À HIPOTERMIA QUE, JURA-ME HERR KREMER, HÁ DE ME PRIVAR DE TUDO QUANTO FOR DE SENTIDOS, TARDE DA NOITE, A VELA JÁ CONSUMIDA NO SUPORTE ENCAIXADO NAS BORDAS DA BANHEIRA.
