There is a crack, a crack in everything
That's how the light gets in.
COHEN DE CHAPÉU. COHEN AGRADECENDO. COHEN DECLAMANDO. COHEN DANDO UNS PULINHOS, NO QUE CORRE EM DIREÇÃO AO MICROFONE.
E EU AQUI, ACHANDO QUE ESTOU VIVA. MAS QUE GRANDE EMBUSTE...
E O CONSULADO QUE CONCEDE O VISTO É O LIMBO. MAS, LÁ, NINGUÉM FALA LÍNGUA SUA, E OS PONTOS FACULTATIVOS JÁ PARECEM COMPULSÓRIOS. MAIS AINDA, NÃO SENDO O SEU UM CRIME DE OPINIÃO, NÃO LHE SERÁ CONCEDIDO ASILO POLÍTICO, E VOCÊ TERÁ DE PERMANECER NESSA INDECISÃO TENEBROSA AO SOM DE 'DEAR PRUDENCE'- ENTOADO POR VOZ FEMININA TRINADA. ATÉ QUE O REMORSO 'O SUICIDE'. DO ALTO DE UM PRECIPÍCIO FRÁGIL DE VENTO, JÁ. E ESCURO.
mercoledì, giugno 17, 2009
ANTHEM
There is a crack, a crack in everything
That's how the light gets in.
COHEN DE CHAPÉU. COHEN AGRADECENDO. COHEN DECLAMANDO. COHEN DANDO UNS PULINHOS, NO QUE CORRE EM DIREÇÃO AO MICROFONE.
E EU AQUI, ACHANDO QUE ESTOU VIVA. MAS QUE GRANDE EMBUSTE...
martedì, giugno 02, 2009
UMA APRENDIZAGEM - OU O LIVRO DOS PRAZERES
"Faz de conta que ela era uma princesa azul pelo crepúsculo que viria, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que sangue escarlate não estava em silêncio branco escorrendo e que ela não estivesse pálida de morte, estava pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz-de-conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz-de-conta verde cintilante de olhos que vêem, faz de conta que ela amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de marinheiros que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua, faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos da gratidão mais límpida, faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta, faz de conta que se descontraíra o peito e a luz dourada a guiava pela floresta de açudes e tranqüilidade, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando, ...faz de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver"
Uma aprendizagem, ou o Livro dos prazeres.
venerdì, maggio 22, 2009
Now I want to take away my dignity, yes take my dignity
Well I sing this song for you blonde beasts, I sing this song for you venuses upon your shells on the foam of the sea. and I sing this for the freaks and the cripples, and the hunchback, and the burning, and the maimed, and the broken, and the torn, and all of those that you talk about at the coffee tables, at the meetings, and the demonstrations, on the streets...
SHUSH!..
martedì, maggio 19, 2009
Soneto XVI
Augusto Frederico Schimidt
O tempo cuidará desta ferida
E o que hoje sangra e dói, tão fundo
E que parece não ter jamais consolo
Irá cicatrizando e amortecendo
Estas imagens, que a lembrança assaltam,
Do bem perdido e sempre tão vivas
Também se irão perdendo e outras lembranças
Trarão remédio ao mal que fere tanto
Um dia, a grande dor será bem leve,
Pois o tempo, que a tudo traz conserto
Muda o soluço em canto e o sangue em vinho
Mas, enquanto não vem a infiel ajuda
Do tempo, como em vão eu te procuro
E como cresce e dói a ausência tua!
TOTAL DOS PRINCIPAIS PRODUTOS IMPORTADOS
DO AZEBAIJÃO
PREPARS.C/TRIGLICERIDIOS DOS ACIDOS CAPRILICO E CAPRICO
UNIDADES DE DISCOS MAGNETICOS,P/DISCOS RIGIDOS
OUTS.PARTES/ACESS.IMPRESS./TRAÇAD./GRÁFICOS
lunedì, maggio 18, 2009
All my life I could do anything. I could do anything, really. Except the one thing I wanted.
Angelica Bell: What happens when we die?
Virginia Woolf: What happens? [pause]
Virginia Woolf: We return to the place that we came from.
Angelica Bell: I don't remember where I came from.
Virginia Woolf: Nor do I.
domenica, aprile 19, 2009
WHY SO SERIOUS?
sabato, aprile 18, 2009
CRIANÇAS - POR QUE NÃO TÊ-LAS?
EU SEMPRE ME INSURGI CONTRA CRIANÇAS. PARA MIM, ERAM TODAS SUJAS E INCOMPREENSÍVEIS. NUNCA QUIS UMA PARA MIM..
MAS O TEMPO VAI PASSANDO E A GENTE, AMOLECENDO. MUDO DE IDÉIA, FLECTO - EM VEZ DE FRANGAR. E, HOJE, QUERO UMA QUE ME LAMBA O NARIZ, ATRAVÉS DAS GRADES, E, COMO A GIOVANNA - QUE CONHECI HOJE -, ME REMOVA A FRANJA DAS FUÇAS, E ME FITE COM OLHOS DE QUEM NUNCA SORRI.
lunedì, aprile 13, 2009
o meu bem-querer
CONHECEMO-NOS NUMA BANCA DE REVISTAS EM BUDAPESTE. CADA UM SACOU SEU CARTÃO E REALIZOU COMPRAS VULTOSAS, A FIM DE IMPRESSIONAR OS LOCAIS. MAS O QUE ELE PROCURAVA MESMO ERAM FIGURINHAS DA COPA. EU, COMO DE PRAXE, LIA UMA TRADUÇÃO FRANCESA DE ARISTÓTELES. APÓS UM SORRISO HONROSO, DIRIGIMO-NOS A UM BISTRÔ VIZINHO, ONDE SORVEMOS O QUE DE BOM AINDA SE SORVIA, NO LESTE EUROPEU, E DIVAGAMOS SOBRE SOJA TRANSGÊNICA, O RICO PORTO DE MANAMA E ESPINHELA CAÍDA. COMO ELE CHORASSE, DECIDI, O CORAÇÃO EM MIGALHAS, ESPREMÊ-LO NO BOLSO. É QUE ESCUTEI MUITO MINHAS ESTRIAS BRANQUINHAS, QUE ME ACONSELHAVAM A APRISIONAR O VALIOSO, ANTES QUE PADECESSE. E HOJE ESTAMOS AMALGAMADOS. EM NENHUMA DAS FOTOGRAFIAS, TODAVIA, DEIXO APARECEREM AS CORDAS QUE O ATAM À MESA, OU AS CICATRIZES DAS MINHAS GARRAS NA SUA CAIXA TORÁCICA - QUE ERA ONDE SE ESCONDIA DA GARFADA O RESTINHO DE CORAÇÃO QUE LHE SOBROU. POR FIM, É MEU, O CARTÓRIO JÁ MO ATESTOU. E O TRAGO TATUADO NAS VEIAS, COM OS OLHOS ARREGALADOS E O CORPO EM CONCHA. TARDE DA NOITE.
O CÉU SEGUIA NUBLADO. FOI ENTÃO QUE UM ARCO-ÍRIS PUTATIVO ABRIU-SE SOBRE A CABEÇA DELE, E EU ENXERGUEI A FELICIDADE. QUE ERA FURTA-COR. QUI-LO VESTIDO DE FRAQUE, CORTANDO-ME AS UNHAS DOS PÉS, RECITANDO BAUDELAIRE. COMENDO FILÉ SAINT PETER SOBRE UM JOGO AMERICANO DE PLÁSTICO, PISANDO TAPETE ALARANJADO COM FRUTINHA BORDADA NUM CANTO. CANTANDO O QUE A BETHÂNIA CANTA, LOGO PELA MANHÃ. E CORRI A PENSAR UMA FORMA INFALÍVEL DE TRAZÊ-LO NO BOLSO PEQUENO DA CALÇA, JUNTO AO CARTÃO DE VISITAS DA DENTISTA. ELE TINHA UM CABELO LISINHO, UNS OLHOS ARREGALADOS E SORRIA COM O CANTO DA BOCA. OS FILHOS TINHAM 50% DE POSSIBILIDADE DE NASCER APRESENTÁVEIS - OCORREU-ME. E ENTÃO GARGALHEI INSANA. PARECIA A HERMENGARDA, MUSA DO EURICO PRESBÍTERO. ESPREMI-O NO BOLSO, FIZ A PRISÃO INESCAPÁVEL. NÃO HAVIA ORIFÍCIO POR QUE ENTRASSE AR, NADA. ELE HAVERIA DE MORRER ALI, MAS MEU. PARA QUE O EMBALSAMASSE E ARRASTASSE, COMO UM FARDO, A POETICÍSSIMA CULPA POR HAVER SUFOCADO NO FLANCO A MINHA CONQUISTA HÚNGARA.
martedì, aprile 07, 2009
DA MEDULA À EPIDERME
...I'M YOURS
AND I'VE ALWAYS BEEN
FROM MARROW TO PORE,
FROM LONGIG TO SKIN.
QUANDO FOI QUE OUVI ISSO? HOJE PELA MANHÃ, ANTES MESMO DAS NOVE HORAS. NO MEU VESTIDO VERDE-CLARO/AMARELO. ANOTANDO ARTIGOS, DECIFRANDO DATAS, FAZENDO-ME DE ESCLARECIDA E DESCANSADA - QUANDO NA VERDADE O QUE EU SENTIA ERA UMA FALTA TREMENDA DA VIDA DE ANTEONTEM.
lunedì, aprile 06, 2009
MI - VERSÃO DO DIRETOR
A noite ia alta. Ambos bocejavam, rendidos. A colcha de cama de Mi era escura – isso lhe ocorria então – e se tivesse ainda o gato, teria de escová-la com força, antes de deitar o rosto limpo naquele prado de pêlos.
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Não queriam, nem um e nem o outro, encerrar a partida. Mi, porque sentia a ausência do pai nos outros seis dias da semana, e ele porque sabia que teria pesadelos terríveis, fosse dormir naquele estado. O que é certo é que não o podiam confessar. Então se calaram, ela recolheu a toalha, ele se incumbiu da garrafa.
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Não trocaram uma última palavra. Mi tinha muito receio de que o senhor seu pai morresse. Toda quinta-feira, parecia-lhe que Deus a advertia. E o melhor que podia fazer, o mais honesto, era rumar para o quarto e imaginar uma saída. Uma forma de suicidar-se ligeiro, antes que lhe tomassem, um acidente de trânsito ou um infarto, o pai.
PERDIDO NA PASTA ABANDONADA DO AGADÊ
Feriram-se ainda uma última vez, ele com uma estaca – que era a ironia com que descrevia os transtornos psicológicos dela – e ela com uma chave-de-fenda – dissecando a rotina alcoólica dele. Por mais que falassem, nada parecia suficiente. Tinham de se refestelar nas ruínas do casamento, para que enfim lhe aceitassem o fracassado desfecho.
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Não tinham filhos – o que ela agradeceria, aliviada, a Deus, pouco depois -, portanto não havia de ser árdua a separação. Além do que, um jogo de malas muito bonito estava devidamente guardado no roupeiro, para acudir o que partisse. Os vizinhos não perceberiam. Bastava que o casal se abstivesse das caixas e sacolas. Que deixasse para o sábado a partilha dos eletrodomésticos, quando todos estivessem almoçando na rua, absortos com a conta do restaurante e alheios ao movimento no terceiro andar.
BLISTER IN THE SUN
REVISITANDO LISBOA.
TORNEI A BESUNTAR/ASPERGIR - NÃO, EMPOAR (!) - TALCO NO CORPO, A FIM DE RETROCEDER UNS ANOS. BEM COMO RETOMO MINHAS ATIVIDADES AERÓBICAS E PROCURO CABELOS NOS SALÕES, COM QUE POSSA REFAZER MEU COURO.
A VERDADE É QUE SINTO NOSTALGIA TREMENDA. SEMANAL. DO PRÓPRIO SÁBADO (DO PRINCÍPIO DE TARDE, DO PÓS-ALMOÇO) QUE ANTECEDE ESSE ARROCHO TORÁCICO.
E TORNO A ESCUTAR TOM WAITS.
venerdì, aprile 03, 2009
By all evidence we are in the world to do nothing.
To want fame is to prefer dying scorned than forgotten.
CIORAN.
E EU QUE QUERIA FAMA - NÃO ARTÍSTICA, MAS PROFISSIONAL (E DADO QUE NÃO HÁ NADA DE ARTE NO MEU OFÍCIO...) -, REPENSO A AMBIÇÃO, ADMOESTADA COM AS PIORES CORES POR CIORAN.
giovedì, aprile 02, 2009
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